Amapá lança projeto que transforma madeira apreendida em raquetes

19/12/2012 16:04

O Estado mais preservado do Brasil, com cerca de 80% da sua floresta intacta, também luta contra a ação ilegal dos madeireiros. No Amapá inúmeras espécies de madeiras nobres são apreendidas com frequência, mas nem sempre a destinação das peças é revestida em um retorno social para os seus habitantes.

Pensando nisso, a Federação de Tênis de Mesa do Amapá tentará implantar em 2013 o projeto “Nossa madeira, nosso talento” , que tem como objetivo utilizar a matéria prima da exploração ilegal da floresta para um grande movimento “esportivo-ambiental” nas escolas da rede pública de ensino.

Desde o início do ano o idealizador do projeto, Alan Cardoso, em parceria com o marceneiro Edivaldo Benjamim, do município vizinho de Santana, passou a transformar em raquetes várias espécies de “madeira de lei”, que foram doadas para os atletas locais testarem.

Duas espécies foram eleitas na primeira triagem do projeto: a Andiroba - Carapa guianensise e a Macacaúba - Plastymiscium ulei. Os três primeiros protótipos oficiais foram submetidos a sua mais importante avaliação durante o Aberto de Jovens, no Rio de Janeiro.

As raquetes foram testadas pelos técnicos da Seleção Brasileira Lincon Yasuda, Hideo Yamamoto e o português Ricardo Faria, além dos atletas da Seleção Juvenil Rafael Moreira e Massao Kohatsu. Todos ficaram bastante impressionados com as respostas obtidas, considerando três conceitos básicos: peso, controle e velocidade. A versão n.º 02 de Macacaúba foi a escolhida.

--- Seguramente essas raquetes são melhores que qualquer modelo “montado” para iniciante a venda no mercado nacional. Claro que ajustes precisam ser feitos em relação ao peso, mas a resposta obtida de controle e velocidade impressionam. Os estudantes do Amapá terão um ótimo material para começarem a praticar a modalidade, parabéns a Federação pela inciativa --- elogiou Lincon Yasuda.

--- O Desempenho destas raquetes é muito bom, considerando que temos na mão uma lâmina única de madeira nobre, aconselho uma remodelagem no cabo para equilibrar melhor o peso, mas sem dúvidas a iniciação no Amapá terá um equipamento satisfatório para aprender Tênis de Mesa e, acima de tudo, de conscientização da necessidade de preservação e utilização sustentável da floresta --- destacou Hideo Yamamoto.

--- Qualquer uma destas raquetes está muito boa para introduzir o Tênis de Mesa nas escolas do Amapá. Fico feliz em poder colaborar com este brilhante projeto que procura conciliar consciência ambiental com esporte, torço para que as famílias incentivem as crianças para prática diária da modalidade, assim, vejo um real caminho para massificação no norte do Brasil --- acredita Ricardo Faria, técnico português recentemente contratado pela CBTM.

As raquetes deverão ser introduzidas no circuito estudantil de Tênis de Mesa em 2013 e cada aluno contemplado com um modelo participará de palestras educativas sobre a preservação da natureza e do manejo sustentável da floresta. Além disso, receberá uma semente de uma árvore da região para ser plantada em homenagem àquela árvore que agora em suas mãos possibilitará uma real oportunidade de inclusão social através do esporte.

--- Não queremos criar um produto para concorrer no mercado. Nossa intenção é de fato mostrar de forma bem objetiva para as crianças que nossa vasta floresta deve ser preservada e manejada de forma sustentável com reais possibilidades de unir numa mesma ação Esporte e Preservação, tendo literalmente na palma da mão um exemplo claro de que é possível proporcionar inclusão social e consciência ecológica através desta modalidade apaixonante chamada Tênis de Mesa --- concluiu Alan Cardoso.