Atleta espera por reavaliação para não ter que abandonar o esporte

29/06/2012 17:28

Dois acontecimentos mudaram a história da paranaense Laide Freiras, que nasceu sem qualquer tipo de deficiência e levou uma vida normal na primeira infância. Com pouco mais de cinco anos, a menina não tomou a terceira dose da famosa vacina em gotinhas e acabou contraindo Poliomielite, que causa paralisia e deformações no corpo.

O vírus é transmitido através de alimentos e água contaminados e se multiplica no intestino, de onde se pode invadir o sistema nervoso. Com baixa imunidade, ela também contraiu Meningite, uma inflamação das membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal, conhecidas coletivamente como meninges.

Laíde ficou em coma por 28 dias até despertar, mas teve várias sequelas e precisou aprender a fazer tudo novamente. Conseguiu voltar a falar e passou a andar com a ajuda de um suporte. Apesar das dificuldades, estava feliz com o progresso, mas veio a segunda fatalidade, que definitivamente acabou com suas chances de recuperação.

Com dez anos, Laide foi atropelada em cima da calçada. O suporte que a ajudava a andar ficou preso no veículo que transportava mercadorias e isso acabou afetando sua coluna. Desde então, a menina teve que usar uma cadeira de rodas e passou a depender da família para quase tudo, pois tinha muitas dificuldades para se locomover.

Para muitos, Laíde teria todos os motivos do mundo para reclamar do destino e ser uma pessoa amarga. No entanto, a menina se transformou em uma mulher doce, sensível, carinhosa e afetuosa. Com muita força de vontade e poder de superação, conseguiu recuperar parte dos movimentos dos braços e reencontrou a alegria no esporte.

--- Cheguei a praticar esgrima por quase dois anos, mas fui forçada a abandonar por causa de uma lesão no ombro. Então descobri o Tênis de Mesa, um esporte que vem me ajudando bastante --- explicou Laíde, que treina na Associação dos Deficientes Físicos do Paraná ao lado de atletas como a experiente Maria Luiza Passos.

---- A Malu é como uma segunda mãe para mim. Minha família se sente mais segura quando viajamos juntas. Todos têm um cuidado e um carinho muito especial por mim, mas não gosto de depender tanto das pessoas --- explicou Laíde, que perdeu os movimentos mas não a vaidade e faz questão de estar sempre bonita e cheirosa.

Como se todas as dificuldades que teve de superar na vida não bastassem, Laide agora vive um novo drama. No ano passado ela foi submetida a uma reavaliação e passou da Classe 2 para a Classe 3. A mudança foi significativa e desde que passou enfrentar adversárias com um grau menor de deficiência os resultados não foram os mesmos.

--- Tudo estava indo muito bem, mas agora estou pensando até em abandonar o esporte. Não consigo competir em igualdade de condições com as atletas da Classe 3. O prazer que eu tinha acabou se transformando em sofrimento. Mesmo treinando muito é uma verdadeira tortura. Estou quase desistindo --- lamentou.

Laíde agora terá de esperar um bom tempo, já que a próxima competição internacional será a Paraolimpíada de Londres. A atleta só poderá passar por outra Classificação Funcional em novembro, no Aberto dos Estados Unidos, no final de novembro, ou na Costa Rica, em Dezembro. Caso não tenha condições de participar de nenhuma desses eventos, seu pedido de revisão ficará para 2013.