CBTM investe na formação de novos talentos e mira pódio olímpico

17/05/2013 11:07

O Tênis de Mesa brasileiro quer se transformar em potência mundial. O primeiro objetivo é ganhar uma medalha olímpica por equipes em 2016. O trabalho para que o discurso se torne realidade já está em prática, mas exigirá persistência e muita dedicação dos envolvidos.

Desde o primeiro semestre de 2011, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) tem rodado o país atrás de crianças e adolescentes que queiram praticar o esporte. Trata-se do programa de detecção de talentos, criado em 2009, logo após o Rio de Janeiro ser eleito como sede da Olimpíada de 2016.

Do início do programa até hoje, 306 crianças já foram treinadas e observadas por Nelson Machado, coordenador de talentos da CBTM. O projeto passou por escolas em mais de dez estados brasileiros, em todas as regiões. Os melhores integrarão programas de alto rendimento mantidos pela entidade.

– Queremos criar uma base sólida e fortalecer os programas de iniciação esportiva por todo o Brasil – explicou Machado ao LANCE!.

O modelo adotado pela CBTM segue uma estratégia já utilizada na França e sugerida pelo francês Michel Gadal, consultor internacional da entidade. Um documento com o passo a passo para o desenvolvimento de crianças e jovens – incluindo orientações táticas, técnicas e posturais – foi elaborado pelo europeu para nortear o trabalho da Confederação Brasileira.

– A França possui uma das melhores didáticas e metodologia do mundo. Além disso, alguns clubes daqui tem uma estreita relação de intercâmbios com instituições francesas – afirmou Machado.

Além da conquista de uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a CBTM traça como metas a manutenção permanente de atletas masculinos e femininos entre os melhores dos rankings mundiais infantil e júnior, além da entrada de jogadores no Top 30 mundial na categoria adulta.

Confederação busca atingir meta até as Olimpíadas

O objetivo da CBTM de colocar homens e mulheres no Top 30 do ranking mundial é ousado e também complicado.

Atualmente, o melhor mesa-tenista do país na lista elaborada pela Federação Internacional de Tênis de Mesa é Cazuo Matsumoto, que ocupa apenas o 84º posto. Quem também figura entre os cem melhores é Gustavo Tsuboi, 90º colocado da lista.

A França, que serve como modelo para a CBTM, também não possui nenhum jogador entre os 30 primeiros da relação. Adrien Mattenet, o melhor atleta do país europeu, está atualmente no 31 posto.

Entre as mulheres, a situação no ranking é ainda pior. O Brasil não conta com nenhuma atleta no Top 100 e apenas uma entre as 200 melhores. Trata-se da jovem Caroline Kumahara (171ª), de apenas 17 anos.

A França conta com duas atletas no Top 100, ocupando a 50ª e a 51ª posições. As duas, porém, não nasceram no país. São chinesas que acabaram se naturalizando.

A China, aliás, domina a modalidade e ocupa também as primeiras posições do ranking mundial.

Consultor formou campeão

Consultor técnico internacional da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa e responsável pela didática do projeto de detecção de talentos, Michel Gadal tem larga experiência na modalidade.

Considerado um dos melhores treinadores do mundo, ele foi o responsável pela formação do compatriota Jean Philiphe Gatien, campeão mundial individual em 1993 e dono de duas medalhas olímpicas: prata em Barcelona-ESP (1992) e bronze em Sydney-AUS (2000).

– Tive a sorte de encontrar um menino de sete anos e consegui transformá-lo em um campeão mundial. Converso com muitos técnicos que sempre me perguntam se devem tentar copiar o estilo de jogo chinês ou de outro país. Minha resposta é sempre a mesma: não copiem ninguém, sejam brasileiros – afirmou Gadal, durante uma das fases do projeto nacional de detecção de talentos.

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