Especialista sueco aposta na evolução do Tênis de Mesa brasileiro

11/01/2013 17:16

A temporada 2013 foi oficialmente aberta no último sábado com o treinamento dos atletas da Seleção Brasileira de Tênis de Mesa, no ginásio do clube São Caetano do Sul.  As atividades foram comandadas pelo francês Jean-René Mounié, os técnicos Hugo Hoyama e Francisco Arado, o Paco, e o Coordenador Lincon Yasuda.

Além deles também foram convidados a atleta lituana Lina Misikonyte, que atuou como sparring, e o especialista sueco Peter Karlsson, um dos maiores jogadores da história da modalidade, que entre outras conquistas importantes foi campeão europeu individual em 1994  e chegou a ocupar o quarto lugar no Ranking Mundial.

Nessa entrevista, Peter falou sobre o trabalho realizado com os atletas brasileiros durante a semana, fez uma análise sobre o que encontrou em São Caetano do Sul, destacou a importância desse tipo de intercâmbio para a evolução da modalidade no país e também falou um pouco sobre a sua vitoriosa carreira.

CBTM - Qual sua visão, opinião sobre o Tênis de Mesa do Brasil?

Peter - Penso que esse grupo é muito interessante. Ha vários jogadores jovens, que atuam ao lado dos mais experientes. Acho que o potencial do grupo é muito grande. Os principais brasileiros já venceram os melhores jogadores da Europa, eu gosto disso. São atletas de 26, 27 anos, talvez 30 anos, com vários pela frente ainda e muito tempo para continuar evoluindo.

CBTM - Como foi seu trabalho com os jogadores durantes esses dias?

Peter - No primeiro dia olhei e observei mais os atletas. No segundo joguei com eles, mesa por mesa. Acho que esse treinamento é muito bom caminho para melhorar a prática. Como sou treinador, para mim que foi bom, pois consegui estruturar melhor em cada mesa. Conversamos individualmente, porque o atleta treina e joga toda hora, podemos discutir pequenos detalhes toda hora, eu gosto muito deste tipo de treinamento.

CBTM - Qual sua leitura sobre o que encontrou no Brasil?

Peter – É um país grande, muito famoso pelo futebol. Já estive aqui várias vezes. Disputei o Aberto do Brasil no Rio de Janeiro e tenho somente coisas positivas a dizer. O povo é muito bom, as pessoas estão sempre em grupos aqui, a atmosfera é muito boa, a comida também, o clima é muito bom. Já viajei para muitos diferentes países na America Latina, mas considero o Brasil o melhor e sinto que estão no caminho certo.

CBTMQual é a importância desse tipo de cooperação para os treinadores e  atletas?

Peter – Acredito que o Brasil tem todas as condições de continuar melhorando no Ranking  Mundial e pode competir de igual para igual contra os melhores. O país está em evolução e tem chance de subir seu nível. Acredito que esse tipo de cooperação é importante para os atletas e treinadores adquirirem experiências e know-how.

CBTM - Você pode nos falar um pouco sobre a sua carreira?

Peter - Entrei na equipe nacional da Suécia no final da década de 1980. Na época tinha de 15 para 16 anos. Tive oportunidade e sorte de participar de um training camp com muitos jogadores fortes como Waldner, Persson, Apelggren, Lind. Era uma época perfeita para mim, fazia parte de um grupo excelente, o trabalho era muito forte, eu tinha 20 anos quando joguei meu primeiro mundial em Dortmond e a Suécia venceu a China por 5 a 0. Em 1991 venci o mundial de duplas, tinha 22 anos. Tive alguns bons resultados, fui campeão europeu individual e cheguei a ser o quarto do mundo em 1994, mas se olharem minha carreira não tive grandes títulos como Waldner e Persson, mas estou satisfeito.

CBTM - Poderia deixar uma mensagem para os jogadores brasileiros e amantes da modalidades?

Peter - O potencial é grande. Vocês devem acreditar em vocês. A história não é tão grande como o futebol, mas o Brasil tem muito bons jogadores. Vocês têm muitos jovens que podem ter resultados no futuro. Devem continuar a desenvolver seu próprio estilo, seu jogo, olhar os melhores jogadores quando jogam, trazer algumas tecnologias para o Brasil e continuar tralhando muito, muito forte.