Gustavo Tsuboi analisa vitória sobre francês e fala sobre as chances para 2016

28/01/2013 08:41

Gustavo Tsuboi passou pela fase de grupos do Torneio Individual do Aberto da Áustria em primeiro lugar e depois derrotou um jogador da casa, Daniel Habesohn, mas a vitória mais expressiva foi contra o francês Adrien Mattenet, 28º do Ranking Mundial.

O brasileiro se classificou para as oitavas de final, que reuniu quatro chineses, três japoneses e representantes da Alemanha, China Taipei, Croácia, França, Portugal, Rússia e Suécia, e enfrentou o japonês Kazuhiro Chan, o 32º do ranking.

Embora tenha jogado de igual para igual, o brasileiro perdeu por 4 a 2, mas recebeu muitos elogios do técnico da Seleção Brasileira Jean-René Mounie, que destacou a postura de Gustavo Tsuboi contra atletas que estão no Top 50 do ranking.

Nessa entrevista, o brasileiro faz uma análise da partida contra o francês, revela as dicas passadas por Jean-René que foram decisivas para conseguir chegar a vitória, e entre outros assuntos fala sobre a importância da preparação que foi feita em São Caetano antes da competição.

CBTM - Faça uma análise da partida contra o francês Adrien Mattenet. Qual foi a repercussão dessa vitória?

Gustavo Tsuboi - Eu já havia enfrentado o Mattenet em algumas partidas entre 2006 e 2010, período em que disputei a Liga Francesa (Pro B) pelo Villeneuve Sur Lot. Sempre tivemos jogos duros e equilibrados onde as chances de vitória eram de 50% para cada lado. Claro que seu nível de jogo evoluiu bastante desde aquela época, portanto sabia das dificuldades que poderia enfrentar. Porém acreditei que meu estilo de jogo poderia causar-lhe problemas. O técnico Jean-René conversou comigo sobre o confronto e entramos em cena com uma tática formada. Felizmente consegui impor meu estilo com muitas variações e agressividade, isso me proporcionou abrir a vantagem de 3 sets a 0. No quarto set tive o primeiro match point (13x12) e a oportunidade de fechar a partida em 4 a 0. Nāo aproveitei e o jogo foi complicando. Mattenet passou a ser mais consistente e preciso nas jogadas, e ganhou confiança. Ele passou a tomar mais iniciativa e atacar com mais agressividade, e quando eu conseguia construir minhas jogadas e ser mais agressivo, ele lutou muito para estender os pontos, defendendo com distância da mesa e contra atacando lá do fundo. Essa é uma das principais qualidades em seu jogo e que me trouxe problemas no decorrer da partida. Ainda tive uma boa vantagem no sexto set (6x1) e um segundo match point no último set (10x9) que nāo foram aproveitados. O papel do Jean Rene foi fundamental no momento crítico da partida, pois ele me ajudou a manter o principal do jogo: a calma e continuar lutando para seguir a tática traçada para vencê-lo. As vitórias contra o Mattenet, Daniel Habesohn neste Aberto da Austria, e outras conquistadas nos últimos tempos, foram muito importantes para ganhar confiança e respeito dos adversários. Muitos amigos, colegas, técnicos me parabenizaram por essa vitória em especial. Após esse jogo, até o Campeāo Olímpico Ryu Seung Min veio me falar "Good Fight"! Rsrsrs

 

CBTM - O trabalho que vem sendo feito pelo Jean-René na Seleção contribuiu para esse resultado?

Gustavo Tsuboi - Com certeza. Eu tinha maus vícios e manias, e ele mostrou o conceito e caminho do alto nível. Tenho consciência que evolui tecnicamente, mas principalmente mentalmente. Ele nāo contribuiu apenas para "esse resultado", e sim para todos os bons resultados que o Brasil vem conquistando no masculino e feminino, seleções adultas e de base, na especializaçāo dos técnicos e estrutura da Seleçāo. Vale ressaltar que muitos fazem parte dessas minhas vitórias: minha família, amigos, todos os técnicos e parceiros de treinos que já treinei, e principalmente os técnicos atuais que participam do meu trabalho diário (Jean Rene, Francisco Arado, Reinaldo Yamamoto, Nelson Kusuoka0. O apoio da cidade de Sāo Caetano do Sul, Bolsa Atleta e CBTM, também sāo fundamentais para eu me dedicar ao esporte e treinar para conquistar resultados para o Brasil.

 

CBTM - Qual foi a dica mais importante que ele te passou sobre o francês?

Gustavo Tsuboi - Variar meus saques de uma forma para deixa-lo desconfortável. Aplicar muita qualidade nas primeiras bolas e tentar finalizar os pontos mais rapidamente. Manter a tática traçada e ser forte mentalmente para manter o nível de jogo quando a situaçāo ficasse difícil.

 

CBTM - Como acha que os adversários então vendo o atual momento do Tênis de Mesa brasileiro? O respeito aumentou? Você sente a diferença?

Gustavo Tsuboi - O Brasil sempre teve grandes jogadores, e sempre foi respeitado. Nāo me recordo de nenhum adversário ter feito "corpo mole" quando me enfrentou. Claro que com algumas vitórias mais expressivas, todos ficam mais espertos, mas ao mesmo tempo com preocupações.

 

CBTM - Qual foi a importância do período de preparação realizado em São Caetano antes da competição?

Gustavo Tsuboi - Sempre é importante reunir os melhores do país, tanto para elevar o nível dos treinos, como também para fixar a mentalidade de alto nível. Dessa forma, atletas e técnicos aprendem e evoluem juntos, e o principal, que é levar esse trabalho diário para seus respectivos clubes.

 

CBTM - Qual foi a importância da presença do especialista sueco Peter Karlsson nesse treinamento?

Gustavo Tsuboi - Ter um Campeāo Mundial junto a nós, ajudando e aconselhando é fantástico. Foi uma ótima experiência para mim e para todo o grupo. Tive a oportunidade de treinar com ele e conversar bastante pessoalmente. Ele deu muitos conselhos a todos, e compartilhou diversas experiências próprias. Com certeza absorvi conceitos que vāo me ajudar a desenvolver meu tênis de mesa.

 

CBTM - Com que frequência esse intercâmbio deve acontecer?

Gustavo Tsuboi - Sempre é bom ter opiniões e diferentes pontos de vistas, desta forma podemos filtrar e aplicar o que fica melhor para cada perfil.

 

CBTM - Como você avalia o desenvolvimento do Tênis de Mesa brasileiro nos últimos anos?

Gustavo Tsuboi - O desenvolvimento do tênis de mesa brasileiro tem mostrado seu potencial depois que começou a tomar forma e direçāo. Estamos evoluindo passo a passo. Atualmente temos 3 atletas entre 90 e 120 do mundo com potencial de chegar ainda mais longe. E uma boa geraçāo de novos atletas.

 

CBTM - O Brasil pode sonhar com uma medalha nas Olimpíadas de 2016?

Gustavo Tsuboi - Este é um assunto muito delicado. Pois nāo se faz equipes vencedoras com mágica e nem da noite para o dia. É preciso planejamento, investimento em estrutura, técnicos, atletas, sparrings, equipe mustidisciplinar presente no local de treinos, etc. Sonhar é o que nos faz ter um rumo na vida. Posso falar que farei os esforços necessários para manter esse sonho aceso.