Rio de Janeiro terá o primeiro centro para treinar atletas Paralímpicos

26/06/2013 11:34

Marcos Malafaia, do Instituto SuperarNos Jogos Paralímpicos de Londres, os 182 atletas brasileiros levaram o país à sétima colocação no quadro final da competição. O feito é memorável, principalmente se considerada a estrutura de treinamento para esse grupo de esportistas.

Não existe ainda, no país, um centro de treinamento totalmente acessível para os atletas paraolímpicos, o que faz os brasileiros, anfitriões da próxima Olimpíada, sonharem com os pódios a partir da criação de um centro de treinamento adequado a essas categorias. Pois para os Jogos de 2016, atletas paralímpicos de 13 modalidades poderão treinar no CT que o Instituto Superar – entidade sem fins lucrativos dedicada ao paradesporto desde 2008 – está construindo em Pedra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio.

Parte dele estará em funcionamento no segundo semestre do ano que vem. O complexo esportivo passa a operar a todo o vapor a partir de fevereiro de 2014, quando a piscina fica pronta.

Será o primeiro CT da América Latina totalmente adaptado às necessidades de atletas portadores de deficiência. Numa área de 40 mil metros quadrados, 23 mil deles construídos, não faltarão corrimãos, pisos táteis, rampas e entradas largas. Piscina olímpica coberta, ginásios polidesportivos e de lutas abrigarão modalidades como natação, vôlei sentado, basquete, hóquei e handebol de cadeira de rodas, judô, futebol de 5, tênis de mesa, bocha, halterofilismo, goalball, tiro com arco e tiro esportivo. Atletas de outras modalidades poderão usar o espaço para o trabalho físico e para fisioterapia.

O custo do empreendimento será de 13 milhões de reais, a maior parte custada por um plano de saúde patrocina o Superar. O CT poderá ser usado ainda por atletas convencionais de 12 modalidades. Com isso, até comitês olímpicos estrangeiros passaram a ter interesse pelo espaço, que contará com um alojamento para 64 atletas.

“Estamos negociando com Noruega e Suécia a possibilidade de delegações da Europa usarem o CT para a preparação de equipes para a Olimpíada e as Paralimpíada. Temos confederações brasileiras, duas olímpicas e três paralímpicas, já como potenciais parceiras. Nosso conceito é de que todos, convencionais ou não, são atletas. Não há sectarismo”, diz o jornalista Marcos Malafaia, que trocou a TV pelo trabalho à frente do instituto, na condição de presidente.

Malafaia lembra que, das 43 medalhas brasileiras conquistadas em Londres – 21 delas de ouro –, 33 foram ganhas por atletas que são ou foram do Superar na maior parte do ciclo entre 2008 e 2012. “Alguns nós perdemos há uns meses, como Daniel Dias (15 medalhas paralímpícas, 10 delas de ouro, na categoria S5 da natação), que foi para o Time São Paulo. Mas preparamos esses atletas durante o ciclo. Pode-se dizer que tivemos participação em 73% das medalhas brasileiras”, calcula.

O velocista Lucas Prado, ouro nos 100m, 200m e 400m tanto em Pequim (2008) quanto em Londres (2012) na categoria T11 (cegos totais), e o nadador Phelipe Rodrigues, prata nos 100m livre em Pequim e Londres e nos 50m livre em Pequim, na categoria S10 (grau mais leve de deficiência física), são atletas do instituto. “Para a natação esse CT vai fazer toda a diferença, porque vai ser a primeira piscina coberta do Rio de Janeiro com padrões olímpicos. Vou treinar em condições semelhantes às que vou competir em 2016. Hoje em dia, treino no Maria Lenk. É uma boa piscina, mas não é coberta”, avalia Phelipe, 22 anos.

Para o chefe de missão da natação nos Jogos Paralímpicos de Londres, Murilo Barreto, o CT vai ajudar a diminuir a carência de infraestrutura esportiva no Rio. “Esse conforto e essa estrutura beneficiam, fazem diferença no resultado. Especialmente nos grandes centros, onde há poucos lugares preparados para o esporte de alto rendimento”, acredita Murilo.

Com a construção do CT, o Superar pretende também criar condições para expandir sua base de atletas. O instituto conta, atualmente, com 320 atletas, 90 deles de alto rendimento, em oito modalidades. O objetivo é, em 2014, subir para 500 em 18 das 22 modalidades paralímpicas. Nem todas vão treinar no CT, como atletismo e futebol de sete, pois não há campo nem pista no projeto. “O nosso atletismo deverá treinar ou no Miécimo da Silva (centro esportivo do município), ou na pista do Exército. Teremos também atletas convencionais. Já assinamos com três jovens promissores: o Stephan Barcha, do hipismo, e com uma dupla de vôlei de praia, Vítor Felipe e Evandro”, conta Malafaia.

O foco, por enquanto, será o paradesporto. Mas Malafaia acredita que a tendência é caminhar também para o esporte convencional. “A coisa está se misturando, não tem jeito. Oscar Pistorius é um exemplo, Natalie Du Toit e Natalia Partyka são outros”, comenta, referindo-se respectivamente ao velocista sul-africano biamputado que disputou os Jogos Olímpicos de Londres, à nadadora sul-africana amputada que disputou a maratona aquática nas Olimpíadas de Pequim e à mesatenista polonesa que nasceu sem a mão e parte do braço direitos, mas esteve nos Jogos convencionais de Pequim e Londres.

Maquete do CT do Instituto Superar