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Atletas brasileiros destacam evolução técnica e pessoal durante intercâmbio na França

Projeto desenvolvido pela CBTM em parceria com o SQY Ping proporciona vivência internacional, contato com diferentes estilos de jogo e participação constante em competições europeias.

Foto: ITTF

21/06/2026 18h00


Treinar em um dos principais centros de tênis de mesa da Europa, conviver diariamente com atletas de diferentes nacionalidades e competir praticamente todos os finais de semana. Essa tem sido a realidade dos atletas da Seleção Brasileira Paralímpica que participam do projeto de treinamento internacional na França, desenvolvido pela Confederação Brasileira de Tênis de Mesa em parceria com o clube SQY Ping, localizado na região de Yvelines.

Mais do que uma oportunidade de aprimoramento técnico, a experiência tem proporcionado crescimento pessoal, amadurecimento esportivo e contato com novas metodologias de treinamento. Os atletas convivem diariamente com jogadores olímpicos e paralímpicos, participam de ligas e torneios locais e vivenciam uma rotina que amplia significativamente sua bagagem competitiva.

Um dos principais ganhos do projeto tem sido a inserção dos brasileiros em um ambiente internacional de alto rendimento. Ao longo da temporada, os atletas acumulam experiências em treinamentos e competições que contribuem diretamente para sua preparação dentro do ciclo paralímpico.

"Conseguimos disputar campeonatos com frequência e enfrentar jogadores com características muito diferentes. Acho que isso é o que mais está valendo a pena: treinar com atletas fortes e jogar com eles", destacou Gabriel Antunes.

A possibilidade de enfrentar adversários com diferentes características técnicas também é apontada como um dos grandes diferenciais da experiência. Para Sophia Kelmer, o contato constante com novos estilos de jogo tem ampliado o repertório dos atletas brasileiros.

"Aqui na França a gente joga com pessoas completamente diferentes, com estilos de jogo completamente diferentes. Isso traz uma bagagem muito importante para nossa carreira. Além disso, temos a oportunidade de competir quase todos os finais de semana, seja em ligas nacionais ou em campeonatos individuais."

Além da vivência competitiva, os atletas também destacam diferenças na metodologia aplicada nos treinamentos. Para Jean Carlos Mashki, a dinâmica adotada pelos clubes franceses proporciona um contato constante com diferentes situações de jogo.

"A maior diferença entre a França e o Brasil é a dinâmica dos treinos. Aqui os parceiros mudam constantemente durante as atividades. Fazemos um ou dois exercícios e já trocamos de parceiro. Isso faz com que a gente enfrente diferentes estilos e situações dentro de uma mesma sessão de treinamento."

Segundo o amazonense, essa rotina contribui para manter os atletas em constante atividade e acelerar o processo de evolução ao longo da temporada.

A experiência também tem permitido um acompanhamento mais individualizado dos atletas. De acordo com Lethicia Lacerda, a combinação entre o trabalho desenvolvido pelos treinadores franceses e o acompanhamento do coordenador técnico brasileiro, Alexandre Silva, tem sido um diferencial importante durante o intercâmbio.

"Aqui a gente treina com um grupo muito diversificado de pessoas e também tem os treinos individualizados, tanto com os técnicos franceses quanto com o técnico brasileiro. Isso ajuda muito porque conseguimos trabalhar características específicas de cada atleta e também dos principais adversários."

Para a atleta, a frequência de competições complementa o trabalho realizado diariamente nos treinamentos e contribui para o desenvolvimento dentro da mesa.

"Estamos jogando muito. A competição passou a fazer parte da nossa rotina de uma forma muito mais intensa. Acho que isso é muito importante para o crescimento de qualquer atleta de alto rendimento. Não basta apenas treinar, é preciso competir também."

Mas os aprendizados não acontecem apenas dentro da mesa. Morar em outro país, conviver com uma cultura diferente e ficar longe da família também fazem parte da experiência. Para Paulo Henrique Fonseca, esse tem sido um período de evolução pessoal tão importante quanto a esportiva.

"No começo foi um pouco desafiador. É uma cultura diferente, uma língua diferente e uma rotina completamente nova. A saudade da família sempre existe, mas encaro tudo isso como parte de um propósito maior. Estou aqui para evoluir e aproveitar ao máximo essa oportunidade."

"Hoje me sinto mais confortável. Conviver com atletas de diferentes estilos, disputar uma liga competitiva e acompanhar o trabalho dos técnicos franceses ampliou muito minha visão de jogo. Tem sido um período de muito aprendizado e crescimento", complementou.

O projeto conta com a supervisão de Joffrey Nizan, diretor esportivo do SQY Ping e profissional com ampla experiência no desenvolvimento de atletas de alto rendimento e no paradesporto. A partir deste ciclo, ele também assumirá o cargo de consultor internacional do tênis de mesa paralímpico brasileiro, reforçando a parceria entre a CBTM e o centro de treinamento francês e contribuindo para o desenvolvimento da modalidade nos próximos anos.

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