Antes de chegar aos cursos, às certificações e aos milhares de usuários que hoje fazem parte da Universidade do Tênis de Mesa, a UniTM começou como uma ideia dentro do planejamento estratégico da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa.
O projeto surgiu a partir da identificação de uma necessidade: ampliar e estruturar as oportunidades de formação para os diferentes profissionais envolvidos com a modalidade.
A primeira proposta começou a ser desenhada ainda em 2016. Naquele momento, as possibilidades de capacitação estavam concentradas principalmente em cursos vinculados à Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), o que limitava a oferta de formações e a capacidade da CBTM de desenvolver uma política educacional própria.
Um dos idealizadores do projeto, Geraldo Campestrini, atualmente Diretor Esportivo da CBTM, lembra que a criação da universidade esteve diretamente relacionada à percepção de que o crescimento da modalidade também dependeria da qualificação de quem trabalha com ela.
"Identificamos uma lacuna na formação dos profissionais. Na época, a CBTM tinha uma possibilidade de capacitação muito vinculada aos cursos da ITTF, e entendíamos que precisávamos de pessoas cada vez mais qualificadas dentro do nosso sistema. A ideia da UniTM nasceu dessa necessidade e foi incluída no planejamento estratégico ainda em 2016", explicou Geraldo.
Da ideia à construção do projeto
Embora estivesse prevista no planejamento, a proposta levou alguns anos para começar a ganhar forma. Foi a partir de 2019 que a CBTM avançou na discussão sobre como transformar aquele conceito em uma estrutura permanente de educação.
Um dos passos decisivos ocorreu com a aproximação com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por meio do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Esportes de Raquete (GRIPER) - UNICAMP, um grupo de estudos dedicado aos esportes de raquete, que contava com a participação das professoras Taísa Belli e Larissa Galatti.
O diálogo permitiu unir a necessidade identificada pela CBTM ao conhecimento acadêmico e às pesquisas relacionadas à formação esportiva. A partir dali, começaram a ser construídas as bases conceituais e pedagógicas que posteriormente dariam origem à UniTM.
"Começamos a amadurecer a ideia e a estruturar uma proposta junto à Unicamp. Foi um processo importante porque nos permitiu estudar referências de outros países e construir as bases do projeto. Muitos dos conceitos desenvolvidos naquele momento continuam presentes na UniTM até hoje", destacou Geraldo.
O planejamento ganhou um novo cenário em 2020. Com as mudanças no calendário esportivo provocadas pela pandemia de Covid-19, projetos que já estavam estruturados puderam avançar dentro da organização. Naquele ano, a CBTM formalizou a parceria com a Unicamp e iniciou o desenvolvimento dos conteúdos que dariam sustentação à universidade.
Para Geraldo, a trajetória entre a primeira ideia e a implementação também mostrou a importância de manter projetos estruturados mesmo quando sua execução não é imediata.
"A UniTM mostra muito a importância do planejamento. Um projeto pode não ser prioritário em determinado momento, mas isso não significa que ele não deva estar pensado e estruturado. Quando surgiu a oportunidade de colocá-lo em prática, nós já tínhamos uma base construída e conseguimos avançar", afirmou.
Conhecimento científico e realidade da modalidade
Taísa Belli participou da equipe de gestão responsável pelo desenvolvimento e pela implementação da UniTM. Docente da Unicamp, presidente do Comitê Científico da CBTM e presidente do Comitê de Ciência do Esporte e Médico da ITTF, ela acompanhou a construção da área educacional desde os primeiros passos.
"Tive a oportunidade de compor a equipe de gestão que participou de todo o desenvolvimento e da implementação da Universidade do Tênis de Mesa. Foi a criação de uma área educacional que trouxe uma inovação para o processo de desenvolvimento dos profissionais que atuam com o tênis de mesa", afirmou Taísa.
Os primeiros conteúdos foram desenvolvidos ao longo de 2020 e as primeiras turmas tiveram início em 2021. A partir daí, a UniTM passou a construir uma estrutura própria de formação, inicialmente com forte atuação junto a treinadores e árbitros e, posteriormente, ampliando as possibilidades de capacitação para outras áreas.
"A gente só consegue alcançar mais praticantes, ampliar a participação e buscar cada vez mais excelência esportiva se tivermos profissionais preparados para isso. Precisamos de mais e melhores treinadores, árbitros e gestores. Nesse processo, a UniTM se tornou uma célula fundamental da CBTM para o desenvolvimento e o crescimento do tênis de mesa", ressaltou Geraldo.
De projeto nacional a exemplo internacional
Cinco anos após o início das atividades, a experiência construída pela CBTM também ultrapassou as fronteiras nacionais. Em 2025, o trabalho desenvolvido pela UniTM foi apresentado durante o ITTF Summit, encontro promovido pela Federação Internacional de Tênis de Mesa com representantes de suas associações-membro.
"Vivi a felicidade de ver o reconhecimento que essa área teve junto à ITTF. Tive o privilégio de apresentar os frutos desse trabalho durante o Summit para representantes das associações ligadas à Federação Internacional, como um exemplo de caso de sucesso em formação profissional no tênis de mesa", relembrou Taísa.
Para a professora, acompanhar o caminho entre a implementação do projeto e seu reconhecimento internacional também ajuda a dimensionar o significado dos primeiros cinco anos da universidade.
"É um período de muita felicidade e muita honra para mim. Desejo vida longa a essa área educacional e que ela siga formando cada vez mais profissionais de excelência para o tênis de mesa brasileiro", completou.